O Wi-Fi 8 está chegando e traz uma proposta diferente! Em vez de focar em aumentar velocidades, foca em resolver problemas de uso Wi-Fi real. Como quedas de conexão, instabilidade, roaming ruim, congestionamentos e baixa performance a distância. Curioso? Vamos aprender mais, então!
O que é Wi-Fi 8?
A próxima geração de redes Wi-Fi, conhecida no meio técnico como IEEE 802.11bn, sucede a geração Wi-Fi 7. Até aqui, boa parte do foco de marketing de cada geração Wi-Fi era velocidade. A 4.a geração foi um avanço para a época, a 5.a popularizou 5 GHz e a 6.a trouxe mais eficiência.
Principalmente para redes com múltiplos dispositivos. Em seguida, vieram Wi-Fi 6E, que introduziu a banda de 6 GHz, e Wi-Fi 7, que trouxe canais de 320 MHz, 4KQAM, MLO, e muitas outras tecnologias Wi-Fi. Agora, a 8.a geração vem com a proposta UHR (Ultra High Reliability).
Ou, em português, ultra-alta confiabilidade. Isto quer dizer que o Wi-Fi 8 se propõe a oferecer à rede mais estabilidade e previsibilidade. Com tempo de resposta menor, melhor desempenho em rede mesh e menores perdas de velocidade a longas distâncias, por exemplo.
Para isso, traz vários adicionais. Entretanto, vale enfatizar que para extrair o máximo potencial de qualquer padrão Wi-Fi é necessário ter dispositivos clientes compatíveis. Ou seja, para ter o melhor proveito do novo padrão Wi-Fi é preciso ter eletrônicos com chipset de mesma geração.
Principais problemas Wi-Fi e tecnologias para resolvê-los
Pois bem, mencionamos que o novo padrão Wi-Fi traz novas tecnologias direcionadas a aumentar a estabilidade e a confiabilidade da rede. Agora detalharemos quais são elas e quais são os problemas específicos que buscam solucionar. Em primeiro lugar, temos o congestionamento.
Que é um problema que surge quando muitos clientes conectados disputam espaço, tempo de transmissão e largura de banda. Como solução, o Wi-Fi 8 trouxe soluções como DSO, NPCA e DBE. O DSO (Operação Dinâmica de Subcanais) permite dividir e distribuir melhor recursos na rede.
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Como em uma avenida, não há necessidade de um veículo (dispositivo cliente) ocupar todas as pistas. Assim, se cada um receber apenas o necessário, sobra capacidade na rede para os outros. Já o NPCA (Acesso de Canal Não Primário) permite utilizar subcanais alternativos.
Caso os canais principais estejam ocupados, em vez de esperar por sua liberação. Por fim, o DBE ajusta a largura de banda dinamicamente conforme as condições da rede. Todas as 3 tecnologias têm os objetivos de melhor aproveitar o espectro, reduzir esperas e manter a rede fluida.
Perda de desempenho à distância

Outro problema que o Wi-Fi 8 busca resolver é a perda de desempenho a longas distâncias, algo que afeta muitos. Basta ir a um cômodo mais distante, mudar de andar ou ter barreiras suficientes entre o roteador e o cliente que a qualidade cai significativamente.
Para melhorar a performance nas extremidades da cobertura, a nova geração traz recursos como ELR e dRU. O ELR (Longo Alcance Aprimorado) utiliza transmissões mais robustas para ajudar dispositivos distantes, como câmeras de vigilância externa, a manterem uma conexão estável.
Já o dRU, por sua vez, distribui unidades de recurso por diferentes partes do canal. O que auxilia dispositivos distantes ou menos potentes a transmitirem mais eficientemente ao roteador. Mas não se engane, isso não quer dizer que o Wi-Fi 8 atravessa qualquer parede ou dispensa Mesh.
Nem um bom posicionamento do roteador dentro da sua residência. A proposta é melhorar o desempenho nas partes mais distantes do alcance dos roteadores, não fazer mágica.
Queda brusca de velocidade
Queda abrupta de velocidade também é um problema relativamente comum, principalmente ao se mover de um cômodo a outro. Para suavizar essa oscilação, o novo padrão Wi-Fi traz tecnologias como UEQM e novas graduações de MCS.
A tecnologia UEQM permite que cada fluxo espacial utilize uma modulação adequada à sua própria qualidade. Se, por exemplo, um fluxo está mais forte e outro está mais fraco, o mais forte não precisa necessariamente trabalhar na mesma velocidade que o mais fraco.
Além disso, o Wi-Fi 8 traz novos esquemas de modulação e codificação, chamados de MCS. Que criam mais níveis intermediários de velocidade. Isso quer dizer que, em vez de cair subitamente de uma alta velocidade para uma muito baixa, gerando mais consistência quando o sinal oscila.
Competição entre pontos Mesh
Em seguida, temos uma das melhorias mais significativas do novo padrão: a coordenação entre múltiplos pontos de acesso. Atualmente, pontos de uma rede Mesh trabalham juntos, mas ocasionalmente podem disputar o mesmo espectro de banda e causar interferência entre si.
Para atacar este problema, a nova geração de Wi-Fi traz tecnologias como Co-SR e Co-BF. A primeira coordena melhor como e quando cada ponto de acesso transmite, reduzindo interferências e aumentando o reaproveitamento do espectro.
Já a segunda tecnologia do Wi-Fi 8 permite uma coordenação mais avançada de Beamforming, ao fazer os pontos direcionarem seus sinais de forma mais alinhada. Na prática, isso pode significar redes Mesh mais estáveis, menor latência e melhor desempenho em casas grandes, sobrados, etc.
Roaming ruim e IA

Por fim, o último grande problema que a nova geração de redes Wi-Fi tenta solucionar é o roaming de baixa qualidade. Roaming é a troca entre pontos de acesso que ocorre quando caminhamos de um lugar a outro dentro de casa. Teoricamente, algo que deveria ser imperceptível.
Todavia, na prática, não é sempre que funciona desta forma. Muitas vezes o dispositivo cliente continua conectado ao ponto mais distante ou a troca é notável. A velocidade da conexão pode cair ou ela pode ser, inclusive, brevemente interrompida.
O Wi-Fi 8 não é capaz de fazer este trabalho apenas por si, entretanto. É preciso que os dispositivos clientes sejam compatíveis com o padrão para que tudo funcione bem. De quebra, a estabilidade e a baixa latência trazidas por ele beneficiam aplicações de IA e IoT.
Novos roteadores Wi-Fi 8
Um ponto interessante é que, apesar de o novo padrão ainda não ter sido oficialmente ratificado, mas empresas já começaram a anunciar produtos. Da TP-Link, por exemplo, temos como destaque o Archer 8 lançado em 2026. Possível pois as marcas tendem a utilizar versões preliminares.
Depois tendem a lançar atualizações de firmware para trazer a versão final. Um roteador que passou por algo similar foi o Xiaomi 7000, que depois de atualizado virou o BE7000. Outros roteadores Wi-Fi 8 anunciados são Deco 8 e Roam 8, um roteador de viagem, ambos para 2027.
Compatibilidade e trocar por um novo roteador
Testes internos da marca comparando os 2 últimos padrões Wi-Fi vemos um ganho de 33% em taxa de transferência para o novo Wi-Fi. Além de melhorias em cenários com múltiplos pontos de acesso, vários dispositivos conectados e ambientes com mais de um andar.
O novo padrão é retrocompatível com todos os anteriores, para alívio de quem tem dispositivos mais antigos. Além disso, não achamos que seja necessário esperar pelo novo Wi-Fi para trocar seu roteador antigo. Se é isso que tem em mente, há bons roteadores Wi-Fi 6 e 7 bem acessíveis.
Caso seu roteador seja mais recente, também não há porquê correr para trocar por um Wi-Fi 8. Pois geralmente roteadores de padrões novos são muito caros de início e seus firmwares podem ter limitações. Mas sempre há entusiastas que gostam de ter um em primeira mão, e tudo bem.
Encerramento
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